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Wanderley Preite Sobrinho Do UOL, em São Paulo 25/04/2019 04h00

Nem a baixa aposentadoria, nem o alto custo dos planos de saúde ou mesmo a solidão preocupam mais o brasileiro com 50 anos ou mais do que a própria estética. Pesquisa divulgada ontem em São Paulo revela que 25% dos brasileiros nessa faixa etária temem mais as mudanças no corpo e a sensação de se sentirem feios do que a pobreza ou a doença.

A segunda principal preocupação do brasileiro com 50 anos ou mais é a falta de dinheiro (20%), seguida pela solidão (18%), sentir-se inútil (14%), ser um peso para outras pessoas (11%), não ter alguém para cuidar deles (10%) e as doenças (2%), informou o Instituto Locomotiva em evento da Bradesco Seguros.

“Não é só vaidade”, explica o autor do estudo e presidente do instituto, Renato Meirelles. “É como se essa preocupação fosse a materialização do preconceito que existe em relação ao envelhecimento.” A pesquisa também informa que 74% dos entrevistados já presenciaram algum preconceito contra uma pessoa madura. “A dificuldade em lidar com as mudanças físicas escancara os efeitos desse preconceito”, diz o pesquisador. Por outro lado, a maior preocupação entre aqueles com menos de 50 anos é “com os outros”, com 52% das respostas. “Quem tem mais problema de autoestima são os jovens, e não os mais velhos.” Essa autoconfiança também se reflete em como esse público se sente, independente…

A autoestima dessas pessoas é melhor do que a de jovens para a maioria dos assuntos, mas há um estigma sobre a palavra ‘velha’, [que é] associada a algo ruim. Assumir que são velhos em uma sociedade preconceituosa significa assumir essa vulnerabilidade, segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva…

Invisíveis para a publicidade Embora recebam baixos salários, os aposentados brasileiros representam 42% da renda nacional: movimentam R$ 1,8 trilhão por ano, mais do que o consumo de toda a classe C, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Se os brasileiros com mais de 50 formassem um país, ele seria o 18º mais rico do mundo. Estaria no G20 do consumo mundial”, diz Meirelles. Idosos em casa de repouso em Santos, litoral paulista Imagem: Jorge Araújo/Folhapress Mesmo assim, esse público não se enxerga nas campanhas publicitárias: 77% dos brasileiros maduros acham que as pessoas nas propagandas são muito diferentes delas. “Setenta e sete por cento…

Milhões de “maduros” sem poupança Hoje, 25% da população tem 50 anos ou mais. São 54 milhões de brasileiros, mais do que duas Austrálias, com 22,4 milhões habitantes, e do que toda a população da Espanha (47,7 milhões). Até 2050, 43% da população brasileira terá mais de 50 anos, ou 98 milhões de pessoas. Hoje, 65% dos brasileiros nessa faixa de idade não guardam dinheiro para a velhice. Ao todo, 35% desse público faz poupança, e 23% deles têm o equivalente a três ou mais meses de renda. “Eles trabalharam a vida inteira e trabalham ainda hoje, mas têm renda limitada, não conseguem poupar”, avalia o pesquisador. O problema, diz, é que os jovens sempre acham que terão dinheiro suficiente..